Sofrimento subjetivo e uso de drogas em jovens universitários
Educação; sofrimento subjetivo; uso de álcool e drogas; universidade; subjetividade
O uso de álcool e outras drogas entre estudantes universitários tem adquirido destaque crescente em pesquisas brasileiras e internacionais, visibilizando articulações complexas entre condições de vida, trajetórias formativas e experiências de sofrimento subjetivo. Estudos apontam que estudantes do ensino superior apresentam taxas mais elevadas de consumo quando comparados a jovens não universitários (Andrade et al., 2012; Simplício et al., 2021). Contudo, grande parte das análises permanece centrada em modelos biomédicos, moralizantes ou comportamentais que tendem a reduzir o fenômeno à noção de desvio individual, desconsiderando como sentidos subjetivos, práticas institucionais e formas de subjetivação configuram o uso de substâncias. Este projeto se insere no campo da Educação ao compreender a universidade como espaço de produções subjetivas que podem ser marcadas por desafios acadêmicos, pressões performativas e expectativas sociais de sucesso. Articulase à linha de pesquisa Educação e Diversidade na Infância, Juventude e Vida Adulta do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade de Brasília (EDIJAPPGE/UnB), mais especificamente no que diz respeito à ênfase dada à cultura, história, subjetividade e relações sociais e políticas nos processos educativos ao longo da vida. Nesse sentido, o estudo busca compreender o uso de drogas não como fenômeno isolado, mas como expressão de configurações subjetivas produzidas na relação entre jovens, instituições e contextos socioculturais contemporâneos, especialmente quando perpassados por experiências de sofrimento subjetivo. Tomando como referencial teórico a Teoria da Subjetividade de González Rey (2005; 2011), o trabalho evidencia, principalmente, os conceitos de subjetividade social e configurações subjetivas, entendendo o uso de substâncias como processo complexo que emerge da articulação entre histórias pessoais, moralidades, vivências institucionais, expectativas sociais. O objetivo geral consiste em compreender como se configura subjetivamente o sofrimento subjetivo associado ao uso de drogas e/ou álcool em jovens universitários. Metodologicamente, tratase de uma pesquisa qualitativa baseada nos princípios da metodologia construtivo- interpretativa e na Epistemologia Qualitativa (González Rey 2005; González Rey; Mitjáns Martínez, 2017), e se utilizará de dinâmicas conversacionais que permitirão a construção de indicadores e de hipóteses interpretativas ao longo do trabalho de campo. A partir desses processos, pretende-se gerar inteligibilidades sobre configurações subjetivas que expressem sentidos, tensões, vulnerabilidades e estratégias produzidas pelos estudantes em sua relação com o sofrimento subjetivo associado ao uso de substâncias e com a experiência universitária. Espera-se que com o trabalho interpretativo, encontrem-se contribuições para ampliar o debate sobre sofrimento subjetivo e universitários, oferecendo subsídios para políticas e práticas de educação que reconheçam a complexidade da vida universitária e do uso de substâncias, e que favoreçam o desenvolvimento subjetivo.