AS HUMANIDADES NA FORMAÇÃO DE EDUCADORES DE INFÂNCIA E PROFESSORES DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO EM UNIVERSIDADES PORTUGUESAS
Estudos em humanidades; Educação básica; Formação docente
O presente trabalho busca discutir as mudanças na formação de professores para a atuação na educação infantil e anos primários em Portugal, problematizando o lugar das humanidades nos currículos dos cursos investigados. Por meio de um estudo hermenêutico, analisamos a organização curricular e entrevistamos seis diretores de quatro cursos de formação de educadores de infância e professores do 1º ciclo do Ensino Básico em Portugal. A pesquisa foi realizada em universidades públicas à luz de normativas, diretrizes e orientações do país que tratam da formação docente em diálogo com autores que abordam as humanidades e a formação de professores, como Flickinger, Leite, Biesta, Nóvoa. Além disso, as considerações de Martha Nussbaum sobre a tendência mundial de enxugamento das humanidades nas universidades nos ajudaram a refletir sobre o tema. Apesar do reconhecimento de avanços na formação estabelecidos pela legislação vigente em Portugal, alguns fatores trouxeram certa insatisfação para os diretores dos cursos investigados, como a cristalização dos currículos. A lógica do desenvolvimento de competências lucrativas nas diferentes etapas do ensino tem sido promovida por governos de diferentes países e de diferentes abordagens político-ideológicas. Em decorrência de tal movimento têm-se eliminado as humanidades e as artes dos currículos. Esse movimento aparece de forma muito forte na Europa e, portanto, em Portugal, tendo em vista as recomendações educacionais do Conselho da União Europeia e a Área do Espaço Europeu de Educação Superior, que seguem os acordos do Processo de Bolonha