INSUBMISSA EDUCAÇÃO NEGRA: sentidos e significados das vozes e fazeres de professoras(es) negras(os) no Brasil e nos EUA
Professoras(es) negras(os); Formação de Professoras (es); Antinegritude; Educação das relações étnico-raciais; Estudos Étnicos.
Este trabalho busca compreender sentidos e significados da educação da, para a e feita pela população negra a partir de uma interpretação crítica de arquivos, narrativas e fazeres pedagógico-sociais de 23 (vinte e três) educadoras(es) negras(os) da educação básica, sendo 13 do Brasil e 10 dos EUA. Parte-se de breve discussão sobre racismo e antinegritude e como a negação ontológica e social da pessoa negra fundamenta a humanidade, como exemplificado em dados educacionais e casos que ilustram pedagogias de crueldade, terror, sofrimento e cerceamento dentro e fora das escolas, para estudantes e professoras (es). Em seguida, compartilham-se iniciativas individuais e/ou coletivamente organizadas por educadoras (es) negras (os) nos dois países, presentes nos arquivos e fruto de entrevistas semi-estruturadas. Essas informações são analisadas de forma relacional a partir do processo de trançagem analítica. Tal partilha intenta possibilitar conhecer e analisar experiências que podem fomentar a imaginação radical, o trabalho de estado de alerta, a construção de rotas de fuga e alternativas e uma educação abolicionista na educação básica e na formação de professoras(es) bem como a compreensão sobre os efeitos da antinegritude na educação, necessários para a humanização de todas as pessoas. A pesquisa identificou uma tradição radical negra diaspórica nas estratégias educacionais adotadas por educadores negros no Brasil e nos EUA, desde o período pré-abolição até a contemporaneidade. Observou-se a criação de escolas específicas para estudantes negros, iniciativas lideradas por professores negros e ações semelhantes de coletivos negros em ambos os países. Perspectivas teóricopedagógicas específicas, como afrocentricidade e educação antirracista, foram identificadas. Contudo, o estudo enfrentou limitações na elaboração de análises aprofundadas que relacionassem diferentes períodos históricos e na identificação dos impactos reais dessas iniciativas sobre os estudantes negros, devido a restrições de informações e ao desenho teórico-metodológico da pesquisa.