Trajetórias universitárias e sofrimento subjetivo: um olhar a partir da teoria da subjetividade
Universidade; Saúde mental; Subjetividade; Educação
Estudos apontam que a população universitária apresenta taxas mais elevadas de sofrimento, como ansiedade, estresse e depressão, quando comparada à população geral. Observa-se, entretanto, que a maioria das pesquisas sobre saúde mental de estudantes universitários adota enfoques quantitativos e descritivos, revelando uma lacuna de estudos qualitativos, com perspectivas explicativas e compreensivas. Assim, essas experiências acabam frequentemente reduzidas a quadros psicopatológicos, sem igual atenção à compreensão de sua origem e configuração subjetiva. O ingresso no Ensino Superior, embora promova oportunidades sociais, culturais e de aprendizagem, favorecendo processos de desenvolvimento subjetivo, também apresenta desafios e tensionamentos. Esses desafios podem se intensificar entre estudantes que, antes dessa transição, já vivenciavam processos de sofrimento subjetivo. A universidade, enquanto instituição social, constitui-se como espaço fértil para o estudo das subjetividades individuais e sociais que a compõem, exigindo a superação de visões fragmentadas de fenômenos complexos, como a tradicional dicotomia entre saúde mental e educação. Dessa forma, o objetivo geral da pesquisa é compreender as produções subjetivas relacionadas às vivências universitárias de estudantes com histórico de sofrimento subjetivo em suas trajetórias de vida. O estudo fundamenta-se na Teoria da Subjetividade, em uma perspectiva histórico-cultural, na Epistemologia Qualitativa e na Metodologia Construtivo-Interpretativa de González Rey. Foram utilizados como instrumentos as dinâmicas conversacionais e a técnica de complemento de frases, concebidas como espaços expressivos e diálogos. A construção da informação ocorreu de forma processual e criativa, reconhecendo a singularidade como fonte legítima de produção de conhecimento científico