O (im)possível mal-estar docente no contexto da escola em tempo integral: reflexões à luz da Psicanálise e Educação
Mal-estar docente; Psicanálise; Educação
Integral; Educação em tempo Integral; PROEITI
Segundo Freud (1925), educar é uma das
profissões da ordem do impossível,
evidenciando os desafios enfrentados pelos
educadores. Para Freud (1930), o mal-estar
é inerente à vida em sociedade e
inevitavelmente atinge os professores. No
contexto do Ensino Integral em Tempo
Integral (PROEITI), este estudo busca, à
luz da psicanálise e da educação, investigar
se a rotina dos professores dessa
modalidade está associada à manifestação
de sintomas de mal-estar profissional,
considerando as demandas específicas do
modelo. A pesquisa, de abordagem
qualitativa, utilizou entrevistas
semiestruturadas e memórias educativas
com seis professoras do Ensino
Fundamental I da Rede Pública do DF. A
análise de conteúdo proposta por Bardin
(2016) identificou três eixos temáticos: “a
constituição do ser docente”; “o estudante e
a escola em tempo integral na ótica
docente”; e “o exercício da docência na
escola em tempo integral: entre o bem e o
mal-estar”. Os resultados apontam que,
embora o PROEITI não seja a causa direta
do sofrimento docente, atua como
catalisador, intensificando o mal-estar. Isso
se deve à sobrecarga de funções
pedagógicas, burocráticas e emocionais, à
precarização escolar e às demandas por
resultados. Além disso, o modelo
desconsidera os ritmos individuais das
crianças, restringindo sua vivência plena da
infância, o que também impacta os
docentes. Assim, o mal-estar transcende
questões estruturais e se enraíza na
subjetividade do professor, influenciada
por aspectos político-sociais e pela própria
essência da profissão, comprometendo sua
saúde emocional e a dinâmica pedagógica.