O ato educativo no contexto hospitalar: as percepções do profissional de saúde
psicanálise; classe hospitalar; criança hospitalizada
Esta pesquisa qualitativa investigou, à luz do arcabouço teórico da psicanálise sobre as ideias freudianas a respeito do tratamento psicanalítico gratuito e do histórico de construção do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, que partem do princípio de defesa da saúde e da educação como direito público fundamental, assim como a garantia de que as pessoas tenham acesso ao tratamento humanizado. Sendo assim, este estudo explorou as convergências e divergências entre essas visões, com ênfase no que significa, para o acesso à educação nas unidades pediátricas do Distrito Federal, compreendendo como as concepções de Freud se relacionam com as políticas contemporâneas que visam promover o bem-estar da população e o desenvolvimento dos sistemas de saúde e de educação mais inclusivos e acessíveis. A investigação centrou-se nas percepções de profissionais da saúde acerca do ato educativo e de suas (im)possíveis contribuições no contexto hospitalar. Para tanto, foram utilizados como procedimentos metodológicos entrevistas semiestruturadas, análise documental e observações participantes, com registros em diário de campo. A análise dos dados foi realizada integrando os achados empíricos ao arcabouço teórico adotado, culminando na identificação de três eixos temáticos: Educação Hospitalar como Direito Público, O Sujeito Escolar Hospitalizado e O Modelo Biomédico em Saúde. Esses eixos permitiram elucidar possíveis repercussões e significantes do ato educativo no ambiente hospitalar. A análise, orientada pelo referencial psicanalítico no campo da educação, articulou teoria e dados para compreender como a presença do Programa Classe Hospitalar ressignifica a experiência do adoecimento infantil, reafirmando a identidade da criança como estudante e subvertendo a lógica passiva atribuída ao significante “paciente”. Conclui-se que o referido programa não apenas assegura o direito à educação no hospital, mas também preserva dimensões subjetivas essenciais, impactando as práticas das equipes de saúde e promovendo uma abordagem pediátrica mais integral e humanizada, sensível às necessidades da criança hospitalizada.