FEMINISMO, EDUCAÇÃO POPULAR E EXTENSÃO: A RESISTÊNCIA CRIATIVA NA FORMAÇÃO DE PROMOTORAS LEGAIS POPULARES.
Extensão; Feminismo; Educação Popular Feminista; Promotoras Legais Populares
A presente proposta tem o intuito de analisar a relação profícua entre a extensão desenvolvida pelas Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES) e a educação para a igualdade de gênero e o combate à violência contra a mulher, a partir da experiência das Promotoras Legais Populares (PLP) na qualidade de projetos de extensão. Compreendendo o papel transformador que a extensão pode e deve adquirir, amparando-se nos objetivos estabelecidos pela Política Nacional de Extensão Universitária, analisamos ações de extensão que assumem o papel da extensão popular, como proposta por Paulo Freire (1983), e propõem ações educativas de elucidação sobre direitos das mulheres, direitos reprodutivos e combate à violência contra a mulher, especificamente aquelas desenvolvidas pelas PLP, as quais, a partir da extensão, observam uma maneira de se expandirem pelo território brasileiro. Embasadas no Materialismo Histórico-Dialético (MHD) e na Educação Popular Feminista, realizou-se uma pesquisa de cunho qualitativo, a fim de promover análise crítica das políticas de extensão universitária no Brasil. Por meio levantamento bibliográfico e de entrevistas com servidoras e estudantes de dez IPES à frente da realização do curso de PLP como projeto de extensão, seguindo a metodologia de análise de conteúdo proposta por Laurence Bardin (2016), elencamos nove categorias de análise, divididas nas dimensões: extensão nas IPES; extensão popular e feminista; e esperançar extensionista nas PLP. Como resultados, obtivemos que a extensão tem sido um aporte importante para a expansão dos cursos de PLP, com a disponibilização do espaço físico, de servidoras e de bolsistas das IPES para sua realização; no entanto, a extensão carece de maior suporte institucional e de políticas públicas de financiamento e valorização. Também foi possível concluir que as PLP, por se basearem em uma Educação Popular Feminista, ensinam as IPES como realizar o diálogo orgânico com as comunidades, consolidando o papel social que as instituições devem realizar, principalmente a partir da extensão, porém gerando resultados transformadores no ensino e na pesquisa. Caracterizamos como resistência criativa as estratégias utilizadas pelas PLP para o enfrentamento às dificuldades estruturais para a realização da extensão, que caracterizam um momento de precarização da Educação Pública Superior no Brasil.