Alfamais (GO) e Alfaletrando (DF): das prescrições oficiais às didáticas de leitura e de escrita nos anos iniciais do Ensino Fundamental
Educação; Currículo; Alfabetização e Letramento; Formação Continuada; Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Essa pesquisa pretende analisar as proposições curriculares para o ensino e a aprendizagem inicial da leitura e da escrita, assumidas pelos Programas AlfaMais de Goiás e Alfaletrando do Distrito Federal, para os dois anos iniciais do Ensino Fundamental, bem como a apropriação das docentes acerca dos saberes provindos da formação continuada e dos materiais didáticos recomendados. Tem como objetivos específicos: examinar as proposições teóricas e metodológicas que integram o ensino e a aprendizagem inicial da leitura e da escrita nos dois Programas de formação continuada, direcionados aos(as) docentes que atuam no 1º e 2º anos do Ensino Fundamental; verificar as abordagens que perpassam os materiais didáticos recomendados para o ensino e a aprendizagem inicial da leitura e da escrita com as crianças de seis e sete anos que frequentam os dois primeiros anos do Ensino Fundamental; apreender como as docentes alfabetizadoras estão se apropriando dos saberes provindos dos respectivos Programas durante os encontros de formação continuada e nos usos dos materiais didáticos recomendados. O Programa AlfaMais-GO criado em 2021, se adequou, em 2023, para integrar a atual Política Compromisso Nacional Criança Alfabetizada do Ministério da Educação. O Programa Alfaletrando-DF foi instituído em 2024 e se orienta pela Política atual. Ambos foram implementados com foco nas aprendizagens dos estudantes e no avanço dos índices de leitura e de escrita nos exames externos. Acredita-se que estudos como esse incide em impactos nas políticas públicas educacionais, pois essa discussão é fundante para alcançar resultados concretos nos cotidianos escolares. O referencial teórico integra reflexões das Teorias da Transposição Didática (Chevallard, 2013; 2005), do poder da escola em produzir culturas específicas (Chervel, 1990) e da Fabricação do Cotidiano (Certeau, 2014; 1985) designando o que norteia o saber da prática ou o saber produzido na ação (Chartier, 1998). No campo da alfabetização e do letramento, compõem o escopo teórico Soares (2020a; 2020b; 2016; 2008; 2004; 2003; 2000), Solé (2012), Morais (2019; 2012; 2009; 2007; 2005; 2002), Lerner (2008; 2007), Koch e Elias (2015; 2014), Kleiman (2016; 2005), Ferreiro (2012; 2010; 1990), Ferreiro e Teberosky (1999), Chartier (2016a; 2016b; 2010; 2008; 2007; 2005; 2000; 1998) entre outros. Está ancorado, também, em documentos que dispõem sobre os respectivos Programas. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa (Rodrigues, 2016; André, 2015; Minayo, 2011; Lüdke e André, 2003;) e como técnicas de investigação, além da análise documental (Gil, 2010; Cellard, 2008; Lüdke e André, 2003), serão realizadas entrevistas semiestruturadas (Gerhardt et al, 2009; Manzini, 2004; Lüdke e André, 2003) com professoras da Secretaria de Estado de Educação de Goiás (SEDUC) e da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) que atuam com os respectivos Programas. Para o tratamento das informações, recorreremos à análise de conteúdo temática descrita por Bardin (2016), dentre outros. Os resultados parciais apontaram que: no Brasil, as discussões em torno do ensino e da aprendizagem inicial da leitura e da escrita são marcadas por oposições epistemológicas e temporais; as políticas públicas para a formação continuada de docentes alfabetizadores(as) ao serem anunciadas como prioridade, são implementadas e interrompidas abruptamente; nos Programas AlfaMais-GO e Alfaletrando-DF, as crianças consideradas alfabetizadas devem ser capazes de fazer uso da leitura e da escrita em situações comunicativas da vida social, sem obrigação do domínio da norma ortográfica; os Programas abrangem a elaboração e a entrega de materiais didáticos complementares, sistemas de avaliação próprios e preveem premiação para as escolas com melhores resultados