EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SABERES TRADICIONAIS DAS MULHERES RAIZEIRAS E MULHERES BENZEDEIRAS DO CERRADO
Educação Ambiental; Raizeiras e Benzedeiras do Cerrado; Saberes Tradicionais.
Resumo O objetivo deste trabalho foi investigar e compreender o papel das mulheres raizeiras e mulheres benzedeiras do Cerrado na preservação e no compartilhamento de saberes culturais e ambientais junto às suas comunidades. Buscou-se analisar as possíveis convergências entre as perspectivas teóricas fundamentadas na etnociência, educação ambiental, ecologia dos saberes e as práticas presentes nas narrativas dessas mulheres, como forma de verificar se os saberes tradicionais e coletivos das mulheres raizeiras e benzedeiras podem contribuir para a formulação de práticas ecopedagógicas no campo da educação ambiental. Também procuramos compreender a importância das ancestralidades e dos vínculos afetivos nas práticas de benzimento e na partilha de saberes tradicionais sobre plantas medicinais. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa composta por revisão bibliográfica, pesquisa participativa e entrevista semiestruturada com sete mulheres, sendo duas mestras raizeiras do Cerrado e cinco benzedeiras da Escola de Almas Benzedeiras de Brasília (DF). As mulheres raizeiras e benzedeiras do Cerrado reúnem uma diversidade de saberes cujos processos de aprendizagem acontecem por meio da transmissão oral dos conhecimentos no cotidiano das suas comunidades. Para essas mulheres e para as pessoas que as procuram, a cura ocorre por meio das palavras, das plantas, dos elementos da natureza e do sagrado, ações que se manifestam no ato de benzer e de manipular as plantas medicinais do Cerrado. Assim, foram identificadas as possíveis convergências entre as perspectivas presentes nas narrativas dessas mulheres juntamente às práticas do benzer e do uso de plantas medicinais, que continuam a ser transmitidas nos dias atuais, guardadas as alterações promovidas pelo tempo, e que ainda permanece nas sociedades contemporâneas o reconhecimento de importância nas práticas de cura e cuidado. Apesar de serem práticas provenientes do meio rural, encontram adesão nos centros urbanos, graças aos seus praticantes e aos que recebem as bênçãos e atestam o poder desse ofício tradicional. É evidenciado que a ancestralidade e os laços afetivos das raizeiras e benzedeiras com seus corpos-territórios contribuem para manter vivos os saberes originários, bem como para a preservação do Cerrado.