Olhos virtuais que condenam: Maceió como laboratório do racismo algorítmico na Segurança Pública
reconhecimento facial; racialização algorítmica; tecnopolítica; segurança pública; necrotecnologia.
Este projeto de qualificação insere-se nos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia
(ESCT), articulando contribuições da sociologia da violência e dos estudos da Teoria Crítica da Raça para
compreender os impactos da racialização algorítmica na segurança pública. A pesquisa parte do
reconhecimento de que a tecnologia não é neutra, mas opera como dispositivo de poder, atravessado por
relações de raça, classe e território. Com base em categorias como tecnopolítica, necrotecnologia, governo
algorítmico e opacidade institucional, investiga-se como sistemas automatizados de identificação,
particularmente o reconhecimento facial, operam como mecanismos contemporâneos de contenção,
exclusão e gerenciamento da morte de populações negras. A análise recusa a narrativa de inovação
despolitizada e busca evidenciar as formas pelas quais a infraestrutura algorítmica reorganiza o controle
social a partir de lógicas históricas de dominação. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e crítica,
ancorada em um estudo de caso expandido sobre a implementação do reconhecimento facial em Maceió-
AL. Serão utilizados quatro procedimentos metodológicos complementares: (1) análise documental de
normativas, (2) entrevistas semiestruturadas com gestores, especialistas, lideranças sociais e moradores
de áreas monitoradas; (3) observação participante em espaços públicos vigiados e instituições envolvidas;
e (4) cartografia urbana, para analisar a distribuição espacial da vigilância e sua relação com marcadores
de raça, classe e território. Os dados serão triangulados para reconstruir as condições de emergência e os
efeitos sociopolíticos do sistema, evidenciando os regimes de visibilidade seletiva que o sustentam.