Trabalho no “pelo”: o crescimento da regulação civil sobre a exploração da força de trabalho radicada no Brasil
relações de produção; forças produtivas; forma jurídica; proteção social
A pesquisa busca compreender a relação entre o direito e a diminuição da proteção social na exploração da força de trabalho no Brasil. Para isso, parte da premissa de que o direito não se constitui primordialmente a partir da norma jurídica, mas das relações materiais entre o desenvolvimento das forças produtivas (DFP) e o desenvolvimento das relações de produção (DRP). Nessa perspectiva, o direito emerge como forma de mediação entre sujeitos proprietários que, no capitalismo, possuem como mercadoria específica a própria força de trabalho. Com base nesse referencial teórico, o estudo questiona as interpretações que definem trabalho formal e informal a partir da presença ou ausência de regulação estatal, especialmente da CLT. Argumenta-se que a exploração da força de trabalho por meio da forma jurídica do contrato pode ocorrer independentemente do regime normativo específico, abrangendo relações celetizadas, estatutárias, terceirizadas, pejotizadas ou mesmo atividades situadas à margem da legalidade. Dessa forma, o foco analítico desloca-se dos critérios normativos de caracterização das relações de trabalho para as condições materiais que ampliam a liberdade contratual do adquirente da força de trabalho e permitem sua exploração com menor proteção social. A pesquisa, assim, propõe superar abordagens normativistas e sustenta que a compreensão da crescente desproteção social do trabalho exige examinar as transformações nas relações de produção que condicionam a atuação do Legislativo, do Executivo e do Judiciário.