REALIDADE DIGITAL INTERSUBJETIVA: O Projeto OSIRIS como Paradigma de Inovação na Execução Fiscal Brasileira.
realidade digital intersubjetiva; inovação no setor público; inteligência artificial aplicada ao direito; governança algorítmica; execução fiscal; Projeto OSIRIS; transformação digital.
Esta pesquisa examina a interseção entre inovação tecnológica e gestão pública no sistema jurídico brasileiro, centrando-se no conceito de "realidade digital intersubjetiva" – ambiente colaborativo onde agentes humanos e sistemas algorítmicos co-constroem significados e práticas jurídicas. Analisa-se o Projeto OSIRIS, desenvolvido pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios e a academia, como paradigma de transformação responsável na execução fiscal – área historicamente marcada por morosidade e complexidade operacional. A abordagem metodológica qualitativa, fundamentada em estudo de caso, integra análises documentais, diagnósticos institucionais e percepções de operadores do Direito, evidenciando como a iniciativa: (1) implementou soluções de inteligência artificial baseadas em transparência algorítmica; (2) otimizou fluxos processuais mediante integração sistêmica; e (3) fomentou governança colaborativa entre juristas e tecnólogos. Identificam-se desafios estruturais persistentes: fragmentação de bases de dados, limitações infraestruturais, assimetrias na literacia digital e riscos de sustentabilidade tecnológica. Conclui-se que o projeto personifica a realidade digital intersubjetiva ao harmonizar dimensões humanas e técnicas, mas sua consolidação e replicabilidade exigem políticas integradas que superem a desarticulação federativa e priorizem: (a) a criação de unidades estratégicas para gestão da inovação; (b) capacitação crítica em ética e governança algorítmica; e (c) arcabouços regulatórios que assegurem interoperabilidade e controle público sobre tecnologias emergentes. A transformação digital no Direito revela-se, assim, processo que transcende a adoção instrumental de ferramentas, demandando reconfiguração institucional para equilibrar eficiência, equidade e autonomia na prestação jurisdicional.