ENTRE CONTINUIDADES E RUPTURAS: UMA MEMÓRIA DO PÓS-ABOLIÇÃO E A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA NA REPÚBLICA DOS DEGENERADOS NO FINAL DO SÉCULO XIX
Sentidos do 13 de maio, cidadania, intelectuais negros, abolição, memória.
No Maranhão, a abolição chegou por um telegrama, em uma noite cheia de rebuliços, agitações e aspirações políticas com a luminosa notícia de redenção dos cativos. Ninguém dormira na noite anterior, nem escravos e nem senhores, havia um medo e terror instaurado pela possibilidade de não assinatura da lei e da reescravização de muitos já libertos.
Os sentidos da memória do 13 de maio e as lutas pelos direitos civis e políticos no norte agrário, por meio da literatura de autoria negra, que se apropria e dá um novo tom ao romance histórico, ressignificam as possibilidades reinterpretar a história oficial e o devir negro na diáspora forçada. Nesse ritmo, novas narrativas sobre o cativeiro da escravidão racializada trazem a lume a recomposição de lacunas e o reposicionamento dos paradigmas centrais do constitucionalismo brasileiro.
Se a abolição da escravidão é uma noite que nunca findou, a aurora da liberdade marca as experiências negras, registradas por intelectuais negros no final do século XIX. Se houve continuidades, existiram também rupturas, que foram marcantes na circularidade do estrato do tempo nesse regime de historicidade.