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Banca de QUALIFICAÇÃO: YGOR SANTOS DE SANTANA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : YGOR SANTOS DE SANTANA
DATA : 10/12/2024
HORA: 15:00
LOCAL: https://teams.microsoft.com/l/meetup-join/19%3ameeting_MmU1Y2QxMTMtYjA3Mi00MmQ0LWFjYmItMTNkNmQwYjQzZ
TÍTULO:

“Eu vou até o fim” - Marli Soares: coragem, vulnerabilidade e radicalidade na crítica à violência penal no Brasil 


PALAVRAS-CHAVES:

Marli Pereira Soares; racismo; sistema penal; abolicionismo penal; ditadura empresarial-militar; etnografia de textos.


PÁGINAS: 109
RESUMO:

Marli e Paulo são dois irmãos que viviam na região da Baixada Fluminense, periferia do Estado do Rio, durante a década de 1970. Na madrugada do dia 13 de outubro de 1979, suas vidas seriam fatalmente atravessadas pela violência do sistema penal, quando homens que se identificaram como policiais invadiram a casa de Marli, para torturar e matar Paulo. Imediatamente após o ocorrido, Marli vai à delegacia competente, denuncia a própria polícia como responsável pela morte de seu irmão e afirma ser capaz de reconhecer os assassinos. Nos meses seguintes, Marli irá mais de trinta vezes a delegacias e quarteis, em sessões de reconhecimento. Seu protesto, pela memória e pela vida de seu irmão, pelo seu reconhecimento enquanto vítima, foi seguido de perto pelos jornais da época, assim como por movimentos feministas e negros, e ganhou repercussão nacional e internacional. Esta tese discute os modos pelos quais as jornadas de Marli Pereira Soares põem em jogo a inseparabilidade das lutas contra o racismo e contra o sistema penal no Brasil e, assim, circulam elementos críticos para a construção de uma crítica radical ao sistema penal enraizada na longa tradição de rebelião negra brasileira contra os mecanismos de dominação impostos pelas classes dominantes brasileiras, desde o colonialismo escravista. Em síntese, como a luta de Marli contribui para a formação de um abolicionismo penal brasileiro. Mais especificamente, o trabalho reflete sobre como a luta de Marli, desde a dor sua e de sua família, expõe os limites racializados do esquema binário comum/político, pressuposto dos debates contra a violência da ditadura empresarial-militar – para definir quem eram as suas vítimas – postos em circulação pela oposição de viés liberal-democrático ao regime, ao mesmo tempo em que se constitui como emergência da crítica radical à violência penal articulada pelo Movimento Negro Unificado. Ademais, a tese questiona os meios pelos quais a posição da luta de Marli é disputada nos processos de construção de memórias sobre a violência de Estado durante o período ditatorial e como um marco na produção de uma virada nos modos de narrar a violência penal. O objetivo, então, é produzir uma cartografia discursiva, por meio de um trabalho de campo de cunho etnográfico, das lutas de Marli e das disputas em torno dos sentidos da sua subjetividade, da subjetividade de Paulo e da violência penal. O campo desse trabalho é constituído pelos documentos em que, à época, as jornadas de Marli circularam no espaço público, especialmente matérias jornalísticas, documentos do movimento negro e o relato da própria Marli, em sua entrevista biográfica, Marli mulher: “tenho pavor de barata, de polícia não”. 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1863338 - EVANDRO CHARLES PIZA DUARTE
Externo à Instituição - LUCAS PEDRETTI LIMA - UERJ
Externo à Instituição - MARCOS VINÍCIUS LUSTOSA QUEIROZ - IDP
Interna - ***.271.281-** - MAÍRA DE DEUS BRITO - UnB
Notícia cadastrada em: 25/11/2024 10:31
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