"Se não fosse orixá eu não estava de pé!” - Violência política de gênero, racismo religioso e cuidado nas encruzilhadas democráticas no Brasil: re-Orí-entações prefigurativas a partir de movimentos LGBTQIA+ de Candomblé.
Violência política; racismo religioso; epistemologia afrodiaspórica; LGBTQIA+.
Esta tese investiga a interseção entre racismo religioso, violência política de gênero e a negação da representatividade de pessoas LGBTQIA+ nos espaços de poder, com foco na politização dos terreiros como locus de resistência ao cristofascismo brasileiro. A partir de uma abordagem afrocêntrica e prefigurativa, propõe a epistemologia oxunista, fundamentada no cuidado como princípio político e na ressignificação das estruturas jurídicas e institucionais por meio das categorias de axé. O estudo parte da análise da violência constitutiva do Estado moderno e sua atualização no cristofascismo, evidenciando como a instrumentalização da religião neopentecostal reforça hierarquias excludentes. Em contraposição, apresenta o cuidado político como estratégia de infiltração e rearticulação do fazer político ocidental, centrado nas categorias fundamentadas nas práticas de terreiros de Candomblé .As reflexões teóricas são enriquecidas por entrevistas com lideranças trans negras de movimentos sociais, cujas trajetórias ilustram formas concretas de resistência à exclusão sistêmica. Ao deslocar o foco da crítica para a construção de alternativas epistêmicas, a pesquisa reivindica uma lógica política enraizada na ancestralidade e na interdependência. Assim, defende a necessidade de um paradigma jurídico e institucional que supere a colonialidade da modernidade ocidental, garantindo a cidadania participativa de corpos dissidentes e a subversão das estruturas que perpetuam sua marginalização.