Licenciamento ambiental, Direito dos Desastres, Princípio da Prevenção, Governança ambiental, Teoria da Captura Administrativa
Licenciamento ambiental, Direito dos Desastres, Princípio da Prevenção, Governança ambiental, Teoria da Captura Administrativa
Esta dissertação analisa a evolução da legislação de licenciamento ambiental em Minas Gerais entre 1988 e 2022, correlacionando as mudanças nas Deliberações Normativas aos desastres ambientais ocorridos no estado. A pesquisa aborda três linhas do tempo interligadas: a evolução das deliberações normativas, os desastres ambientais e as decisões dos órgãos colegiados responsáveis pelo licenciamento. O estudo utiliza uma abordagem descritiva e crítica, com base em atas de reuniões e análises de casos emblemáticos, como os desastres de Mariana, Brumadinho e Dique Lisa. A estrutura inicial foi organizada para apresentar os temas de forma cronológica, facilitando a compreensão das inter-relações entre os eventos. Assim, o objetivo principal é compreender como as mudanças legislativas e as decisões colegiadas fragilizaram a prevenção de desastres ambientais. O primeiro capítulo analisa a evolução das DNs, destacando alterações motivadas por desastres, como as de Mariana e Brumadinho, enquanto o segundo capítulo investiga as falhas no caráter preventivo do licenciamento ambiental, evidenciadas pelos três desastres estudados. O terceiro capítulo examina as atas dos conselhos CMI e CNR, revelando um viés favorável aos empreendedores devido à composição dos órgãos, marcada pela presença de representantes do setor produtivo e do poder público. Conclui-se que as alterações nas DNs foram reativas aos desastres, porém insuficientes para prevenir novos desastres, que o licenciamento ambiental falhou em sua função preventiva e que os conselhos colegiados sofrem de captura administrativa, comprometendo a imparcialidade das decisões. Destacamos a necessidade de reformulação estrutural dos conselhos e de maior rigor no licenciamento ambiental. Este trabalho é relevante por contribuir para o debate sobre governança ambiental e propor melhorias para a prevenção de desastres em Minas Gerais.