Escravo e dono não sentam na mesma mesa: Encruzilhadas teóricas e políticas entre Achille Mbembe e Sueli Carneiro.
Sueli Carneiro; Achille Mbembe; dispositivo de racialidade; necropolítica; pensamento negro.
Essa dissertação analisa comparativamente as contribuições teóricas de Sueli Carneiro e Achille Mbembe. Para tanto, a investigação se vale da reconstrução biográfica, política e intelectual dos dois filósofos e da abordagem crítica das suas principais produções bibliográficas. Em um primeiro momento, expõe-se como as obras de Sueli Carneiro e Achille Mbembe realizam uma crítica ao racismo presente no cânone filosófico ocidental, a qual emerge das suas próprias trajetórias de vida. Posteriormente, prosseguindo nesse argumento, são delineados os mecanismos de construção da noção de “Eu” na filosofia moderna e de como eles são oriundos da violência concreta historicamente exercida sobre as populações não-brancas. Neste momento, trabalha-se as especificidades do conceito de “necropolítica”, desenvolvido por Mbembe. Por fim, na última parte, são apresentadas convergências e divergências entre Achille Mbembe e Sueli Carneiro a respeito do racismo e da emancipação negra. Conclui-se que ambos os filósofos estão, no mesmo momento histórico e em realidades distintas, mas similares, articulando e concretizando intervenções importantes na filosofia política, as quais canalizam perspectivas, conceitos e elaborações produzidas nos contextos de luta da diáspora africana no Atlântico.