OS ANTECEDENTES DO LETRAMENTO FINANCEIRO: Análise empírica dos estudantes de graduação da UnB
Letramento Financeiro. Determinantes. Aprendizado Formal, Não-Formal e Informal. Estudantes de Graduação. Universidade de Brasília.
O objetivo deste trabalho é analisar quais são os determinantes (antecedentes) do letramento financeiro nos estudantes de graduação da Universidade de Brasília. Para o alcance desse propósito, foi utilizado o método empírico-analítico com foco em três grupos de variáveis explicativas: (i) perfis e históricos dos respondentes, (ii) aprendizagem formal e não-formal e (iii) aprendizagem informal. Foram coletadas 400 respostas a partir da aplicação de um questionário eletrônico estruturado, composto por 34 questões. Os resultados dos testes empíricos, em relação ao grupo (i), revelaram que homens, alunos de engenharia e ciências sociais aplicadas, com rendimento familiar acima de 10 salários mínimos, casados e cujos pais tenham no mínimo formação no ensino superior tiveram nível de letramento superior aos demais. No que se refere ao grupo (ii), os alunos que tiveram aulas de contabilidade e finanças no ensino médio ou na faculdade, bem como os que preferem a internet e planejadores financeiros como fonte de conhecimento apresentaram níveis de letramento superiores. Ademais, alunos com maior preferência por mídias tradicionais apresentaram menores níveis de letramento que os demais. No tocante à análise do grupo (iii), não há relação estatisticamente relevante para corroborar com a hipótese levantada. Na segmentação por nível de proficiência dos estudantes: aqueles com nível avançado, 30,25% da amostra, apresentaram uma nota média cerca de 1 ponto superior ao nível intermediário, representado por 24,75% da amostra, e 3 pontos em relação ao nível básico, representado por 45% dos respondentes. Por fim, este trabalho contribui com a literatura ao preencher lacunas, apontadas por Goyal e Kumar (2020), de pesquisas sobre letramento financeiro em países não-ocidentais e/ou em desenvolvimento. Ademais, a proposta de se analisar o nível de letramento dos indivíduos sob a consideração das fontes de conhecimento e aprendizado – além de ir ao encontro da iniciativa da OCDE de reconhecer não apenas o aprendizado formal, mas o não-formal e o informal, também permite o avanço da discussão de novas perspectivas de análise do letramento financeiro.