A natureza do 'goodwill' contábil: uma abordagem teórico-empírica interdisciplinar
Goodwill; Realismo agencial; Física Quântica; Psicologia; Efeito emaranhamento
O âmago desta tese é a natureza do goodwill. Por meio de uma tetralogia de estudos, proponho uma abordagem alternativa para a natureza do goodwill, que considera uma inseparabilidade onto-epistemológica entre o goodwill (capital intangível) e o capital físico da empresa. Eu chamo isso de “efeito emaranhamento”. Ele ocorre por meio da “intra-ação” entre o capital intangível e o capital físico. Minha proposta é derivada de conceitos usados na física quântica, economia e psicologia. Eu dialogo com esses campos do conhecimento para propor a natureza do goodwill como sendo um conjunto de forças (drivers de valor) atuando emaranhadamente com outros ativos, a fim de criar valor para as organizações. Esse conjunto de forças não existe física ou economicamente separado do capital físico. No primeiro estudo, eu me baseio em conceitos da psicologia para abordar a questão dos fracassos que ocorrem nos processos de combinações de negócios. Adicionalmente, forneço evidências empíricas que sugerem que apenas 15% do goodwill relatado pelas empresas representa substância econômica (núcleo do goodwill). O segundo ensaio é um exercício de construção de teoria no qual eu forneço uma base teórica para explicar a natureza do goodwill. Eu dialogo com a física quântica e a economia para explicar a formação dos resíduos econômicos que dão origem ao goodwill (badwill). Considero que tais resíduos se originam em cada decisão gerencial que ocorre no cotidiano da firma. Em particular, eu exploro conceitos da teoria do realismo agencial, como emaranhamento, intra-ação e difração, e os relaciono com o goodwill. No terceiro manuscrito, eu testo empiricamente o efeito emaranhamento. Usando um painel desbalanceado com 161.966 observações empresa-ano de 1980 a 2020, abrangendo 67 países e dez setores da economia, eu descubro que o efeito emaranhamento tem uma associação estatisticamente significativa com a geração de valor das empresas. Uma vez que que a amostra do terceiro estudo não possui dados disponíveis para as instituições financeiras, eu construo o quarto artigo a fim de testar o efeito emaranhamento especificamente no setor xii bancário. A amostra compreende 28.161 observações banco-ano de 2002 a 2020, abrangendo 122 países. Eu descubro que o efeito emaranhamento também possui uma relação estatisticamente significativa com a geração de valor dos bancos. Concluo, portanto, que o efeito emaranhamento representa a própria natureza do goodwill e que é uma força real nas organizações, independentemente do setor da economia.