EFICIÊNCIA DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR NO BRASIL: Uma Análise DEA sobre Alocação de Recursos.
Ensino Superior. Eficiência. DEA. FIES. Índice de Malmquist.
Políticas Públicas
MELLO, Daniel da Silva. EFICIÊNCIA DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
NO BRASIL: Uma Análise DEA sobre Alocação de Recursos. 2025. 171f. Dissertação
(Mestrado em Ciências Contábeis) – Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
O presente estudo teve como objetivo analisar em que medida o financiamento indireto
via Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) impacta a eficiência operacional das
Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras, em comparação ao investimento
público direto nas universidades federais. Buscou-se avaliar a pertinência da alocação
de recursos públicos no ensino superior sob duas estratégias distintas de
financiamento — oferta pública direta e financiamento estudantil —, considerando
indicadores de acesso, permanência, conclusão e qualidade educacional.
A investigação foi conduzida por meio da metodologia de Análise Envoltória de Dados
(DEA) em múltiplos estágios, sob a ótica de retornos variáveis de escala e orientação
a outputs, complementada pelo procedimento de bootstrap e pelo Índice de
Produtividade de Malmquist, permitindo distinguir os efeitos de eficiência gerencial
(catch-up) e de mudança tecnológica (frontier-shift). Os escores de eficiência foram
posteriormente relacionados a variáveis ambientais e institucionais — como
localização geográfica, tempo de existência, PIB regional, densidade demográfica e
participação no FIES — mediante técnicas de aprendizado de máquina
supervisionado, capazes de capturar relações não lineares e heterogeneidade entre
as IES.
A amostra abrangeu o período de 2019 a 2023, utilizando dados do Censo da
Educação Superior, do Índice Geral de Cursos (IGC) e de indicadores
socioeconômicos do IBGE. Os insumos considerados incluíram corpo docente, corpo
técnico, matrículas e recursos institucionais, enquanto os produtos contemplaram
concluintes e indicadores de desempenho acadêmico.
Os resultados apontaram que as IES públicas apresentaram maior estabilidade e
consistência nos níveis de eficiência, enquanto as IES privadas financiadas pelo FIES
demonstraram comportamento mais volátil, alternando ganhos expressivos de
eficiência com perdas decorrentes de restrições de escala e sustentabilidade
financeira. Verificou-se também que fatores regionais e estruturais exercem influência
significativa sobre o desempenho relativo das instituições.
Concluiu-se que, embora o FIES tenha contribuído para a ampliação do acesso ao
ensino superior, sua eficiência relativa permanece inferior à das IES públicas,
sugerindo que o financiamento indireto não se traduz necessariamente em melhor uso
dos recursos públicos. Os achados reforçam a importância de políticas educacionais
orientadas ao equilíbrio, à sustentabilidade e à equidade na alocação dos recursos
entre as modalidades pública e privada de ensino superior.