Desagregando o relacionamento bancário: o modelo house-bank está morrendo?
intermediação financeira; relacionamento bancário; escolha de banco; digitalização; Pix; multihoming;
Este ensaio estuda como o alinhamento entre pagamentos e relações de crédito evolui em um sistema bancário em rápida digitalização. Utilizando microdados administrativos mensais do Brasil (2022–2025) que vinculam pagamentos eletrônicos interinstitucionais (Pix, TED, boletos e pagamentos com cartão) ao cadastro de crédito (SCR), construímos medidas de preferência revelada da instituição de pagamento dominante de cada entidade e as comparamos com a instituição que detém a maior participação no crédito em aberto. Definimos o agrupamento pagamento-crédito como a coincidência entre essas duas relações e rastreamos sua evolução ao longo do tempo em múltiplos limiares de dominância, distinguindo dinâmicas incondicionais de dinâmicas condicionais à existência de uma instituição de pagamento dominante bem definida. Documentamos a heterogeneidade entre indivíduos e empresas por escala econômica, demografia, geografia e setor, e caracterizamos as correlações intra-entidade entre agrupamento, uso do Pix e engajamento multi-institucional. Também construímos contrapartes em nível institucional para quantificar as diferenças entre bancos e agregar tendências entre usuários ativos de crédito. Os resultados fornecem evidências baseadas em transações sobre como a digitalização e a multihoming estão associadas ao enfraquecimento do modelo tradicional de "banco-casa" e oferecem novos dados descritivos sobre os microfundamentos da intermediação financeira no Brasil.