Ensaios sobre a economia verde e a complexidade produtiva no Brasil
Economia verde. Complexidade econômica verde. Desenvolvimento regional. Empregos verdes. Amazônia brasileira.
Esta tese é composta por três ensaios interdependentes e investiga como a transição verde interage com as estruturas produtivas brasileiras. O primeiro ensaio desenvolve um quadro conceitual que combina a teoria da causação cumulativa de Myrdal com a perspectiva da complexidade econômica. Argumenta-se que políticas e investimentos ambientais, quando implementados em estruturas produtivas desiguais, podem acionar dinâmicas de desenvolvimento regional que se reforçam mutuamente. O segundo ensaio apresenta evidências empíricas para a Amazônia brasileira, construindo o espaço-emprego verde para analisar como as capacidades produtivas locais e o desmatamento afetam a entrada e a permanência de ocupações verdes. Os resultados mostram que a relatedness density exerce efeito positivo sobre a especialização e a persistência dessas ocupações, embora esse efeito seja enfraquecido em áreas de maior desmatamento. O terceiro ensaio amplia a análise para o conjunto das unidades federativas brasileiras, ao construir o espaço-produto verde e calcular indicadores de complexidade econômica verde. Os resultados indicam que os estados das regiões Sul e Sudeste estão mais preparados para adaptar e expandir suas bases produtivas nessa direção, enquanto os demais dispõem de poucas possibilidades de inserção na economia verde. Caso as políticas industriais e ambientais não considerem as especificidades territoriais, o avanço em produtos de maior complexidade e conteúdo ambiental pode aprofundar as desigualdades regionais.