A EDUCAÇÃO E O EFETIVO DE POLICIAIS FEMININOS AFETAM A CRIMINALIDADE?
Abandono escolar; crime contra as mulheres; economia do crime; policiais femininas; métodos quantitativos.
Este trabalho investiga fatores estruturais na prevenção da criminalidade, analisando os impactos da educação e da presença de policiais femininas na contenção da violência no Brasil. A pesquisa combina abordagem teórica e análise empírica por meio de dados em painel dinâmico, aplicando os métodos de Arellano e Bond (1991) e Anderson e Hsiao (1981), para examinar a relação entre escolaridade e crime, assim como o efeito da integração de mulheres na força policial. O Artigo A explora a conexão entre abandono escolar e criminalidade, verificando se a saída precoce do ensino médio contribui para o aumento dos homicídios. O estudo analisa dados de 2008 a 2019, avaliando a correlação entre taxas de evasão escolar e indicadores de violência nos estados brasileiros. Os resultados sugerem que níveis elevados de abandono escolar elevam as taxas de homicídios, reforçando a importância de políticas educacionais que incentivem a permanência estudantil. Além dos efeitos econômicos da escolarização, a educação também promove valores sociais e habilidades que reduzem a predisposição ao comportamento violento. Assim, investir na qualidade do ensino e reduzir o abandono escolar não apenas melhora a mobilidade social, mas também representa um mecanismo preventivo contra a criminalidade. O Artigo B aborda uma dimensão diferente da segurança pública, examinando a influência da presença de policiais femininas na repressão de crimes contra as mulheres, especialmente estupro e feminicídio. Utilizando dados de 2020 a 2023, avalia se o aumento do efetivo feminino na força policial e a expansão de delegacias especializadas impactam a qualidade do policiamento e a incidência desses crimes. Os achados indicam que maior presença de policiais mulheres melhora a resposta policial, gerando mais denúncias e aumentando a sensação de segurança entre as vítimas. Esse efeito é crucial, pois crimes de gênero frequentemente ocorrem em ambientes domésticos e são subnotificados. Além disso, a inclusão de policiais femininas também fortalece o enfrentamento da violência doméstica, promovendo uma abordagem mais sensível e eficaz na proteção das vítimas. Portanto, este estudo demonstra que educação e policiamento especializado atuam como estratégias complementares na prevenção da criminalidade. A educação, ao ampliar oportunidades econômicas e sociais, reduz o incentivo ao crime, enquanto um sistema policial diversificado, com presença feminina ampliada, melhora a eficácia das intervenções contra a violência de gênero. Espera-se que políticas públicas multidimensionais, combinadas a investimentos educacionais e fortalecimento das instituições de segurança, possam mitigar os impactos da criminalidade e promover uma sociedade mais justa e segura