Dinâmicas da evasão definitiva do ensino superior: proposta taxonômica, seus determinantes e a importância da interoperabilidade dos dados educacionais
Educação Superior. Evasão estudantil. Regressão logística multinível. Integração de bases de dados. Interoperabilidade de dados educacionais.
A expansão do acesso ao ensino superior no Brasil, evidenciada pelo aumento de 24% nas matrículas entre 2016 e 2023, contrasta com o crescimento modesto de 17,4% nos concluintes no mesmo período, revelando um descompasso estrutural agravado pelas altas taxas de evasão estudantil. Dados da OCDE sobre adultos com ensino superior completo indicam que o país permanece com taxas inferiores às dos vizinhos latino-americanos, como Peru, Chile e Colômbia, além de ter, também, um dos maiores prêmios salariais da graduação. Nesse contexto, a evasão definitiva do sistema educacional superior emerge como fenômeno crítico, comprometendo investimentos públicos e privados enquanto reflete desigualdades estruturais no acesso às oportunidades educacionais. A tese inicia estabelecendo uma estrutura taxonômica multidimensional para a evasão no ensino superior, integrando granularidade (curso, instituição e sistema) e temporalidade (imediata, temporária e definitiva) com os qualificadores (área do conhecimento, turno, modalidade), superando abordagens fragmentadas e oferecendo um instrumental analítico robusto para diagnósticos precisos. Em seguida, evidencia-se que a evasão definitiva do sistema atinge 45% dos estudantes que já tiveram seu vínculo finalizado nas coortes de 2005 a 2022, com taxas elevadas associadas a condições socioeconômicas desfavoráveis (renda familiar, ocupação parental), características institucionais (cursos noturnos, EaD, instituições privadas com fins lucrativos) e fatores pessoais (sexo masculino, autodeclaração preta/parda/indígena, deficiência), além de revelar heterogeneidade regional e institucional, com valores maiores em instituições privadas. Utilizando amostragem estratificada em dois estágios, dos microdados identificados do Inep, e regressão logística multinível, o estudo demonstrou que a ocupação parental em grupos de maior complexidade reduz em 14,5% as chances de evasão, enquanto a renda familiar elevada diminui a propensão em 13,4%, corroborando o peso estrutural das desigualdades, representadas pelas dimensões socioeconômica e pessoal. A tese finaliza discutindo a interoperabilidade das bases educacionais, e reforça que a fragmentação de sistemas como o Censo da Educação Superior, Censo da Educação Básica e Enem limita o acompanhamento longitudinal preciso da evasão, ressaltando a necessidade de integração semântica e governança de dados para embasar políticas públicas eficazes.