RISCOS CLIMÁTICOS E MERCADO DE CARBONO NO BRASIL: UM ESTUDO COM MODELOS DE EQUILÍBRIO GERAL COMPUTÁVEL
Mudanças climáticas. Mercado de Carbono. Modelos de equilíbrio geral. Emissões de GEE. Políticas ambientais.
Este estudo buscou adaptar um modelo de Equilíbrio Geral Computável (CGE) inspirado nos economistas Caliendo, Dvorkin e Parro (2019) para que também abordasse questões ambientais. O modelo original desses autores é dinâmico, com ampla estrutura espacial e se destaca por incorporar explicitamente diversos mecanismos relevantes: fricções de mobilidade da força de trabalho, custos de comércio, encadeamentos produtivos intersetoriais, comércio internacional e intersetorial (com possibilidade para incluir comércio inter-regional) e consumo de bens finais locais em cestas agregadas via função Cobb-Douglas (com possibilidade de extensão para CES). Porém, a principal contribuição do modelo de Caliendo, Dvorkin e Parro é o uso da metodologia exact-hat algebra dinâmica, que permite resolver o equilíbrio e conduzir análises contrafactuais sem a necessidade de estimar os níveis dos fundamentos econômicos (como produtividade, fricções migratórias ou custos de comércio). A adaptação proposta nesta tese consiste na inclusão das emissões como um fator de produção, conforme a abordagem de Copeland e Taylor (2013), ao modelo original de Caliendo, Dvorkin e Parro (2019). Essa extensão teórica permite a análise de instrumentos ambientais, como mercados de carbono e impostos pigouvianos sobre emissões, dentro de um arcabouço consistente de equilíbrio geral com comércio e migração. Considera-se que essa extensão teórica constitui a principal contribuição desta tese, por permitir a avaliação integrada de políticas ambientais e comerciais em um modelo dinâmico espacialmente estruturado. Para não deixar esta tese apenas no campo teórico, propõe-se uma simulação prática da implementação de um Mercado de Carbono no Brasil a partir deste ano de 2025, com três cenários distintos de redução de emissões de GEE até o ano de 2030, tomando 2005 como ano-base. Todos os cenários visam à redução total de 50% nas emissões até 2030, alcançando aproximadamente 1,28 Gt CO₂e, mas se diferenciam na forma como essa meta é distribuída entre desmatamento e setores produtivos. Neste estudo, conclui-se a implementação e análise do Cenário I (todos os setores, inclusive o desmatamento, reduzem as suas emissões em 50%), mostrando que a implementação do Mercado de Carbono para atingir a meta de 2030 provoca contração inicial significativa na economia brasileira (medida pelo Valor Adicionado – VA) e leve queda no emprego no curto prazo. Embora os níveis de VA permaneçam abaixo do cenário-base, a taxa de crescimento se recupera no médio prazo, e os níveis de emprego tendem à convergência. Os demais Cenários (II e III) serão apresentados na defesa da tese, uma vez que as suas simulações ainda estão em fase de finalização e validação.