Investigação sobre a discussão da racionalidade dos agentes a partir da aplicação do Puzzle do Risco Idiossincrático para o caso de inovações do mercado brasileiro.
Risco idiossincrático, Sentimento do Investidor, cross-section, Análise dos Componentes Principais, Modelo de 3 fatores de Fama e French.
O puzzle do risco idiossincrático é fonte de divergências significativas entre os racionalistas e os adeptos da teoria das finanças comportamentais. O referido debate se deu início com o trabalho de Malkiel e Xu (2002) no qual os autores encontraram que o risco idiossincrático era uma variável estatisticamente significante para explicar o cross-section do retorno de ações americanas, o que supostamente seria uma evidência contrária a racionalidade dos agentes econômicos. Em contrapartida, Pastor e Veronesi (2009) defendiam que havia um problema na mensuração desses modelos, os quais não desagregavam o risco idiossincrático daquele risco advindo de inovações e suas incertezas. Pastor e Veronesi (2009), portanto, trataram do problema como um viés de variável omitida e defendiam que se o modelo fosse corretamente mensurado, o risco idiossincrático não teria mais significância estatística. Diante de tal discussão, o presente trabalho optou por construir um portfólio de ações representativas de uma revolução tecnológica no Brasil e verificou o comportamento do risco idiossincrático controlado por fatores comportamentais a partir da adição de uma variável de sentimento do investidor. Os resultados indicaram que o risco idiossincrático foi não-significativo para explicar o cross-section do retorno desse portfólio, tanto na ausência quanto na presença da variável de sentimento. Quando comparado com um portfólio representativo de ações que não passaram por revolução tecnológica qualquer, o teste de Chow indicou não haver diferenças estruturais entre os coeficientes do modelo, indicando uma contraposição a tese central de Pastor e Veronesi (2009).