Financeirização Digital e o papel do Estado: Um estudo sobre o Brasil
Financeirização; Financeirização Digital; Política Econômica; Economia Brasileira
Este trabalho investiga a financeirização digital como um desdobramento do regime financeirizado, analisando seu impacto no sistema econômico brasileiro e suas implicações no cenário global. A partir de uma perspectiva heterodoxa, influenciada por abordagens marxistas e pós-keynesianas, a pesquisa examina como o avanço das tecnologias digitais intensificou os processos de financeirização, ampliando desafios e aprofundando os impactos econômicos e sociais desse fenômeno. Inicialmente, o estudo explora a financeirização como um processo historicamente situado, marcado pela transição de um regime produtivo para um regime financeirizado, no qual o capital fictício e a especulação assumem centralidade na lógica de acumulação. Em seguida, analisa-se a financeirização digital como uma extensão desse regime, destacando o papel das inovações tecnológicas, como negociação automatizada, criptoativos e plataformização econômica, na reconfiguração dos mercados financeiros e na ampliação do alcance das dinâmicas financeirizadas. A pesquisa também examina o papel do Estado como agente promotor da digitalização financeira e a captura de políticas públicas por agendas financeirizadas, com especial atenção aos países em desenvolvimento. No contexto brasileiro, iniciativas como o PIX, o Real Digital e o Open Finance são discutidas, com foco em seus efeitos sobre a inclusão financeira, a economia de dados e a reorganização dos mercados. Os resultados indicam que, embora a financeirização digital ofereça oportunidades de inovação, ela reproduz e aprofunda desigualdades, desestabiliza economias locais e agrava os riscos de instabilidade sistêmica. O estudo conclui que a implementação de políticas públicas e regulatórias deve priorizar a justiça social e a proteção da economia real, enfrentando as pressões e impactos da lógica financeirizada.