Ensaios sobre heterogeneidade de firmas e má alocação de recursos devido a poder de mercado
PTF, má alocação, modelo de Cournot, tamanho das firmas, lei de Zipf
Este trabalho e composto por tr ´ es artigos que exploram a interac¸ ˆ ao entre heterogeneidade de ˜ firmas e ma alocac¸ ´ ao de recursos devido a poder de mercado. O primeiro artigo desenvolve um ˜ modelo estatico de Cournot que estima a m ´ a alocac¸ ´ ao devido a poder de mercado utilizando ˜ essencialmente dados macroeconomicos. Este modelo nos permite avaliar o impacto da in- ˆ eficiencia alocativa na produtividade total dos fatores (PTF), uma an ˆ alise que tem sido limitada ´ pela disponibilidade de dados ao n´ıvel das firmas. Nos aplicamos esta metodologia para de- ´ compor a PTF agregada em componentes de tecnologia e eficiencia alocativa entre 1950 e 2019 ˆ para ate cem pa ´ ´ıses da Penn World Table 10.01. Utilizando essa decomposic¸ao, reexaminamos ˜ importantes fatos do crescimento economico. Por um lado, avaliamos o desempenho dos pa ˆ ´ıses mais ricos, medindo-o nos Estados Unidos. Constatamos que mudanc¸as na eficiencia alocativa ˆ podem impactar significativamente o crescimento de curto prazo. Por outro lado, examinamos o desempenho economico ao redor do mundo. Conclu ˆ ´ımos que a ma alocac¸ ´ ao desempenha um ˜ papel significativo na explicac¸ao das diferenc¸as de renda entre pa ˜ ´ıses, embora uma parte substancial permanec¸a inexplicada. Ademais, nao encontramos suporte ˜ a hip ` otese de converg ´ encia ˆ para a eficiencia alocativa, sugerindo que a m ˆ a alocac¸ ´ ao devido a poder de mercado est ˜ a rela- ´ cionada, no longo prazo, a fatores duradouros espec´ıficos de cada pa´ıs como as instituic¸oes. ˜ O segundo artigo tambem utiliza o modelo de Cournot desenvolvido no primeiro, mas ´ visando entender o papel da ma alocac¸ ´ ao nos ciclos econ ˜ omicos recentes do Brasil. N ˆ os en- ´ contramos uma tendencia de melhora na efici ˆ encia alocativa brasileira entre 2000 e 2019, re- ˆ fletindo o aumento observado na participac¸ao da renda do trabalho e, consequentemente, a ˜ queda estimada no markup medio, em n ´ ´ıtido contraste com a maioria dos pa´ıses desenvolvidos. Alem disso, constatamos que os ciclos na PTF brasileira s ´ ao principalmente devidos ˜ a efici ` encia ˆ alocativa, com o boom economico de meados dos anos 2000 sendo principalmente atribu ˆ ´ıdo aos ganhos de eficiencia. O componente tecnol ˆ ogico da PTF cresce de maneira muito mais est ´ avel, ´ em torno de 0,8-0,9% ao ano, sugerindo que reflete as caracter´ısticas estruturais da economia. Por fim, o terceiro artigo trata da lei de Zipf, que afirma que a probabilidade de uma variavel ´ ser maior que s e aproximadamente inversamente proporcional a ´ s. Mais precisamente, este artigo avalia se essa “lei” se aplica a distribuic¸ ` ao do tamanho de empresas por pessoal ocu- ˜ pado no Brasil. Utilizamos dados anuais agrupados publicos do Cadastro Central de Empresas ´ (CEMPRE), mantido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat´ıstica (IBGE) e que contempla todas as organizac¸oes formais. Notavelmente, constatamos que a lei de Zipf fornece uma ˜ aproximac¸ao muito boa, embora n ˜ ao perfeita, para os dados de cada ano entre 1996 e 2020 em ˜ n´ıvel nacional e tambem para os setores de agricultura, ind ´ ustria e servic¸os isoladamente. No ´ entanto, a distribuic¸ao lognormal tamb ˜ em apresenta bom desempenho e at ´ e supera a lei de Zipf ´ em certos casos