Política Monetária Não-Convencional e Indústria: a experiência da economia estadunidense
Política monetária não convencional. Quantitative easing. Produção industrial. MF-VAR Bayesiano. Economia estadunidense.
Esta dissertação investiga os efeitos da política monetária não convencional sobre o setor
industrial da economia estadunidense no contexto da crise provocada pela pandemia de
COVID-19. O objetivo central consiste em analisar se a adoção de programas de quantitative
easing em larga escala pelo Federal Reserve foi capaz de mitigar o impacto recessivo sobre a
produção industrial e evitar um colapso mais profundo da atividade econômica. Para tanto,
emprega-se um modelo MF-VAR Bayesiano de frequência mista, combinando variáveis
semanais e mensais no período de janeiro de 2017 a dezembro de 2024, seguindo a abordagem
metodológica de Schorfheide e Song (2015) e Feldkircher, Huber e Pfarrhofer (2021). Os
resultados indicam que o choque expansionista associado ao aumento do agregado monetário
M2 não gerou pressões inflacionárias persistentes nem expansão robusta do produto agregado.
A resposta da inflação mostrou-se moderada, enquanto o PIB apresentou efeitos transitórios e
estatisticamente limitados. Em contrapartida, a produção industrial revelou maior sensibilidade
à política monetária, sugerindo predominância do canal financeiro de transmissão,
especialmente por meio da compressão de prêmios de risco e reprecificação de ativos. Os
achados empíricos reforçam a interpretação pós-keynesiana de que não há multiplicador
monetário automático capaz de converter expansão de reservas em crescimento sustentado do
produto ou aceleração inflacionária. A decisão de investimento depende fundamentalmente das
expectativas de demanda efetiva, e a política monetária, isoladamente, apresenta capacidade
limitada de induzir expansão produtiva estrutural. Conclui-se que o quantitative easing atuou
primordialmente como instrumento de estabilização financeira, sendo condição necessária para
mitigar riscos sistêmicos, porém insuficiente para gerar ciclo autossustentado de crescimento
industrial sem coordenação com políticas fiscais expansionistas.